Crítica: Cimarron – 1931

 

Baseado no conto de Edna Ferber , Cimarron foi um filme produzido pela RKO em 1930, que representou uma jogada ousada do estúdio, que não conseguiu arrecadar o necessário para abater os custos da produção, pois país passava por uma de suas piores crises de sua história.

A história inicia-se no dia 22 de abril de 1889, o dia da ocupação das terras doadas pelo então presidente Benjamin Harrison, que hoje estão localizadas no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos. Acompanhamos a história de uma família que tenta a sorte e prosperidade em terras desertas, praticamente inabitadas. Yancey Cravet,  um jornalista, advogado se muda junto com a sua família para Osage, um pequeno vilarejo onde abre o primeiro jornal local. Cravet é o retrato do típico herói americano, aquele que defende os direitos de uma nação, sem nenhum tipo de discriminação. Isso é demonstrado em várias cenas do filme; como quando é chamado a dar um sermão, e obriga que cada cidadão presente contribua com dois dólares exceto os indígenas, pois acredita que eles foram expulsos de suas terras pelos brancos, e por isso não acha justo que eles contribuam para a construção de uma igreja. Em outra ele carrega em seus braços um jovem negro morto por uma bala perdida. Quando uma prostituta está sendo julgada perante uma corte, ele é o único a se levantar para defender sua causa.
Em várias ocasiões do filme, Yancey Cravet abandona a sua esposa e filhos em busca de novas aventuras, explorando novos territórios, chegando a ficar 5 anos sem entrar em contato com sua família. Muitas das responsabilidades ficam então ao encargo de sua esposa Sabra, que passa a cuidar dos filhos, dos afazeres da casa e também do jornal local. É uma mulher de personalidade forte e extremamente fiel ao marido e a família, que dificilmente se abala com as dificuldades que sua vida apresenta. Sabra é interpretada pela atriz Irene Dune, que foi indicada ao oscar naquele mesmo ano. Sua atuação é forte e vigorosa, e torna-se chave ao assumir a liderança do filme, nas cenas em que Yancey Cravet se  ausenta.
Com passar dos anos, Cimarron foi um filme que envelheceu, perdendo muito em sua qualidade técnica e tornou-se um filme esquecido. Apesar disso, compõem-se de um grande valor histórico, pois cobre quatro décadas, dando destaque aos principais acontecimentos deste período: a corrida por Cherokee, em 1889 e a construção de vilas e cidades em territórios até então pouco explorados, a guerra espanhol-americana, exploração de novas jazidas de petróleo, crise de 1929, cavalos e carroças sendo substituídos por novos meios de locomoção. Para melhor representar uma noção de tempo e espaço, as tomadas são sempre realizadas em um mesmo ângulo, dando ao espectador aScena do filme Cimarron - 1931 impressão de desenvolvimento, onde pequenas casas e prédios são substituídos por grandes conglomerados comerciais.
Edna Ferber (15 de agosto de 1885 – 16 de abril de 1968) foi uma escritora romancista norte-americana. Ganhadora do prêmio Pulitzer, começou a sua carreira como  como jornalista antes de publicar o seu primeiro romance. Teve várias de suas obras adaptadas para o cinema e o teatro, dos quais incluem: Cimarron, Assim caminha a humanidade e Jantar às oito. Realizando uma pesquisa pela internet para descobrir a acurácia dos fatos narrados pelo filme, em Cimarron, Edna Ferber inspirou se Samuel Houston, um famoso advogado brilhante conhecido por seu “teatro de audiência”, para a construção de seu personagem central.
Apesar de velho e ultrapassado, Cimarron é um filme que vale a pena ser estudado por sua estrutura narrativa, bem como pela riquesa histórica que este compõe ao relatar fatos que fazem parte da base e construção de uma civilização.

Recepção:
A premier do filme foi em Nova York, no dia 26 de Janeiro de 1931, seguido por Los Angeles, no dia 6 de Fevereiro. Três dias depois, o filme foi lançado em todas as salas de cinema do país, sendo um sucesso de crítica. Na premiação do Oscar, o filme levou as estatuetas de melhor filme, melhor direção de arte e melhor roteiro adaptado. O filme também foi indicado ao Oscar de melhor ator para Richard Dix, melhor Atriz para Irene Dunne, melhor cinematografia e melhor diretor.

Extras:
Data de estréia: 26/01/1931
Direção: Wesley Ruggles
Produtor: William LeBaron
Gênero: Drama; Western
Origem: Estados Unidos
Duração: 120 min.
Tipo: Longa metragem
Elenco: Richard Dix, Irene Dunne, Estelle Taylor, Nance O’Neil
Distribuidora: RKO Pictures

Reportagens sobre o filme:
The New York Times (em inglês)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s