Crítica: Sem Novidades no Front – 1930

Baseado no conto homônimo de Erich Maria Remarque, que leva o mesmo título, é considerado o maior filme anti-guerra de todos os tempos. Provocativo, dramático e realista, o filme ainda impressiona, mesmo passados quase 80 anos desde sua estréia. com os seus efeitos visuais e as cenas de guerra nas trincheiras.

O filme conta a história de sete estudantes alemães que, iludidos com o discurso do professor sobre “dever patriótico”, se alistam para a guerra. Mais tarde descobrem que as forças da Tríplice Entente (formada pelo império Britânico, Franceses, Russos e, mais tarde, os Estados Unidos) era muito maior do que o se esperava. Acompanhamos o personagem central da história, Paul Bäumer (muito bem interpretado pelo ator Lew Ayres), um jovem de 21 anos que sonha de algum dia ser um escritor. Bäumer representa a força, a liderança e os sonhos da juventude. A medida em que o filme transcorre, a inocência de seus personagens é perdida de forma feroz e brutal. Isso é demonstrado em uma das cenas mais dramáticas do filme em que Paul, após apunhalar um inimigo, pede por perdão a ele, mesmo depois de morto.

Os valores da guerra são muitas vezes questionados de diversas formas. Após Paul ser severamente injuriado, ele recebe a permissão para retornar a casa e percebe que muitas coisas mudaram. Em uma oportunidade de se reencontrar com seu professor, ele percebe que este ainda usa o mesmo discurso patriótico de anos anteriores. E quando é chamado para dar um testemunho de seus “atos gloriosos de guerra”, é vaiado pela classe, ao desencorajar os alunos a se alistarem

“…é sujo e doloroso morrer por seu país. Quando vier a morrer por seu país será melhor não morrer por nada! Há milhões que morreram lá fora pelo seus países e que bem há nisto?”

Por ter sido lançado em um período entre guerras (Primeira e Segunda Guerra Mundial) o filme sofreu uma série de controvérsias, principalmente nos países europeus: Sua reprodução foi proibida na Itália até 1956; na Alemanha, membros do então partido Nazista soltavam ratos dentro das salas de cinema como uma forma de protesto, sendo mais tarde banido entre os anos de 1930 e 1940. Também foi censurado em países como Austrália (1930 – 1941), Austria (1931 – 1980) e na França até 1963.

Lewis Mileston, que dirigiu o filme, nos entrega uma série de cenas memoráveis, como a cena em que um par de botas confortáveis vai passando de mão em mão a medida em que seu dono morre em batalha, ou então quando Franz Kemmerick, um jovem de apenas 19 anos é levado ao corredor da morte de um hospital. Também uma das últimas cenas do filme, quando Paul Bäumer é morto por um sniper ao tentar alcançar uma borboleta. Nas palavras de Mordaunt Hall, então crítico do New York Times em seu artigo de 1930:

“Muitas das cenas são de tal excelência que, se eles não fossem audíveis se poderia acreditar que elas fossem imagens reais das atividades por trás das linhas, nas trincheiras em No Man’s Land.”

Extras
Data de estreia – 15/09/1930
Direção: Lewis Milestone
Produtor: Carl Lammle Jr.
Gênero: Guerra
Origem: Estados Unidos
Duração: 131 min.
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Louis Wolheim, Lew Ayres, John Wray, Arnold Lucy

Reportagens sobre o filme:
The New York Times (em inglês)
Jovem Alemanha na Guerra

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